Senhoras da nossa idade

Um blogue quadrangulado entre Lisboa, Coimbra, Porto e S. Paulo

Libertar-nos do mal

7 comentários

Florbela_por_apeles_espanca

 

Libertar-nos do mal

 

Queridas Senhoras,

Sinto hoje a alma cheia de tristeza!
Um sino dobra em mim Avé-Maria!
Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,
Faz na vidraça rendas de Veneza…

O vento desgrenhado chora e reza
Por alma dos que estão nas agonias!
E flocos de neve, aves brancas, frias,
Batem asas pela Natureza…

Chuva…tenho tristeza! Mas porquê?!
Vento…tenho saudades! Mas de quê?!
Ó neve que destino triste o nosso!
Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!
Gritem ao mundo inteiro esta amargura,
Digam isto que sinto que eu não posso!! …

Florbela Espanca, in “Livro de Mágoas”

 

Não, ainda não fui ver o “Florbela” (mas estou desejosa); transcrevi o poema acima porque o mesmo surge na abertura do folheto de auto ajuda para a depressão que a Oficina de Psicologia acaba de lançar.

Não tinha planeado falar sobre este tema mas o facto de ter dado com o folheto (é mais do que isso, são trinta páginas bastante informativas), que achei muito útil e interessante, levou-me de imediato a querer partilhá-lo convosco e com aqueles que nos possam ler.

Todos nós já passámos, podemos passar, ou voltar a passar, por episódios depressivos mais ou menos graves. Temos amigos, familiares, colegas que podem estar nessa situação. A atual crise económica, o desemprego, o clima de tensão que se vive em muitos locais de trabalho, as consequentes crises pessoais, conjugais, a instabilidade nos relacionamentos, a dificuldade em criar e manter relações afectivas sólidas, enfim, a dita crise da intimidade, tudo isto leva a que estejamos cada vez mais vulneráveis à depressão.

E como estamos mais sozinhos, estamos pior. Se a vida nos afasta das pessoas que nos querem bem, dos nossos amigos e familiares, quem nos vai ajudar quando nos sentimos frágeis, inseguros, tristes, a resvalar para mais do que simples cansaço, desalento ou mau estar geral?

Daí a importância, até como forma de prevenção, de manter convívios saudáveis, reforçar laços, esforçarmo-nos por manter as amizades.

Deixo aqui, em jeito de resumo, as cinco dicas de auto ajuda preconizadas pela Oficina de Psicologia. As dicas são para ajudar a sair da depressão mas penso que servem para todos nós – têm a ver com formas fisica e emocionalmente saudáveis de viver:

1 – Desafie pensamentos negativos

2 – Cultive relações apoiantes

3 – Cuide de si

4 – Faça exercício físico regular 

5 – Faça uma dieta equilibrada e rica em alimentos que favorecem o humor

6 – Saiba quando deve pedir ajuda adicional

Por fim, deixo também o resumo do que cada um de nós pode fazer para ajudar um amigo que está a passar por uma depressão:

1 – Faça uma visita
2 – Escute atentamente
3 – Seja empático
4 – Informe-se sobre o assunto
5 – Esteja disponível
6 – Valorize a pessoa
7 – Mostre compaixão e seja bondoso
8 – Telefone, envie uma mensagem ou e-mail
9 – Escreva uma carta ou postal, envie um poema, música, vídeo
10 – Insista para que procurem ajuda especializada

Contra “os encontros de novo adiados”…

 
Abraço a todas,

Céu

Autor: Céu

Que vivas tempos interessantes!

7 thoughts on “Libertar-nos do mal

  1. Na mouche, minha querida senhora🙂 Também eu ando em luta com os sinos que dobram em mim. Já em convalescença, digamos assim. Graças à ajuda especializada, de facto. Sem isso não conseguia. E a distância das minhas pessoas é, tenho a certeza, um factor agravante. Mas são as circunstâncias da vida que, actualmente, não favorecem grandes deslocações. E depois há os problemas, as preocupações, as injustiças. Enfim. Vem aí a Primavera, minha antiga aliada contra as indisposições da alma🙂 Beijinhos grandes a todas. E cuidem-se!

  2. Sim, que venha a primavera, as flores e os sorrisos e já agora uma grande chuvada que também ajuda a limpar a alma e o ar! :)Entretanto fui ver ontem o “Florbela”. Adorei. Algumas frases que ficam:”Se não doer, como sabemos que estamos que estamos vivos?””Não sei viver” (diz ela ao pai depois de se tentar matar atirando-se a um poço)E esta cena, com muito humor e ironia, deixem-me descrever: a Florbela está em casa com o irmão e de repente falta a luzm ficam às escuras. Ela sai da sala para ir procurar uma vela e o irmão diz-lhe para ter cuidado, para não tropeçar. Resposta dela: “Então? Se há coisa que eu sei fazer é encontrar-me na escuridão.”🙂

  3. Amigas,eu sempre me considerei imune a estados e humores depressivos.Não tem a ver comigo.mas reconheço que de vez em quando paira sobre mim uma nuvem negra! Isto de trabalhar em casa pode ser muito solitário …E quanto à Florbela,como tantos outros poetas e escritores,foi através da minha irmã que a conheci,e reconheço que na altura tanto sofrimento não me entusiasmou !! Energia positiva para todasBeijos

  4. Eu ando numa luta com o meu corpo….Quando era “nova” vivia sem pensar nele… nao me chateava, nada me incomodava, e vida era sim só cabeça e emoçaoMas o pós-parto do 4 filho (4 cesarianas) é obra caras senhoras!! Quase depois de 1 ano do Duarte ter nascido o meu corpo recusa-se a ser o que era, ou pelo menos de ser mais parecido com o que era, e cá andamos nesta guerra. Obrigada pelo post Céu.bjs a todas

  5. Querida Mariana, ainda não fez um ano! Não estarás habituada a uma recuperação muito rápida por seres tão magra e maneirinha? Os teus genes são bons, o metabolismo eficiente, a elegância natural…, aposto que volta tudo ao que era dentro em pouco🙂 que bom ouvir-te, um grande abraço

  6. Como se diz por aqui – obrigada fofura:)) mas as vezes temo que perdi esta batalha… Ainda desejo ter o meu corpo como era antes , e embora sei que isso nunca será possível e difícil largar o sonho. Sent from my iPhone

  7. Mariana,eu já desisti de sonhar com os abdominais perfeitos,e “só”passei por 2 cesarianas ,lol Deixo-te um provérbio popular : Dá tempo ao tempo !!Bjs

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