Senhoras da nossa idade

Um blogue quadrangulado entre Lisboa, Coimbra, Porto e S. Paulo

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2 comentários

Minhas queridas Senhoras,

Antes de “fechar a loja” (já estou de férias, a começar agora a desacelerar) queria deixar-vos, nem que seja assim num relance rápido, as minhas impressões do fabuloso O Viajante do Século, o segundo livro com que a Marta definitivamente me amarrou à nossa troca literária.

Nem de propósito, esse é um dos temas do livro, a troca literária. Que aqui é mais uma transfusão ou uma impregnação.

Os meus livros preferidos (e este já assegurou o seu lugar no topo) são os que falam de outros livros. Que cruzam no seu enredo outros escritores, leitores, personagens e histórias. Que me fazem andar a ler com um certo sobressalto, sentindo-me em falta por não apanhar as referências todas.

(Quero ler o Lucinde de Schlegel. Quero conhecer os poetas ingleses. Não sei, de facto, nada de nada sobre Wordsworth, Shelley ou Keats. Muito menos sobre os poetas franceses, italianos, espanhóis ou alemães. Que miséria! Por que não fui eu para Literatura em vez de andar entretida com cursos “modernos”?)

Não vou desvendar a história do livro, isso seria tirar-vos o prazer de irem descobrindo o mundo absolutamente fascinante criado por Andrés Neuman.

Aqui discute-se filosofia, política e religião. O futuro da Europa. E literatura, claro, muita literatura. Faz-se crítica literária ao vivo, há uma antologia da poesia europeia em perspectiva. E como pano de fundo, fio condutor, metáfora repleta de significados, está a tradução.

Este é um livro multilingue e poliglota. Há línguas-ponte, idiomas que se tocam, misturam e vertem uns nos outros, traduzindo emoções, sentimentos, estados de alma e de corpo. A tradução como metáfora para a leitura e interpretação do mundo. Do passado, do presente e do futuro. Da vida e do amor.

Não é fácil falar deste livro. Sei que ao lê-lo só me ocorria aquela frase: “Para quê ler bons livros se existem os óptimos?”.

A multiplicidade de referências, como disse ao início, é uma das marcas desta obra. Já não me recordo, sinceramente, se a Winterreise de Schubert é ou não mencionada. Mas foi essa a inspiração precoce, apontada pelo autor nesta entrevista, para esta efabulatória viagem.

Depois de ter passado as quatro estações em Wandernburgo (a cidade imaginária onde a acção decorre), Viagem de Inverno parece-me o idioma certo e a tradução perfeita.

Para onde vai agora este Viajante?

Beijinhos a todas,

Céu

Autor: Céu

Que vivas tempos interessantes!

2 thoughts on “Found in translation

  1. Muitos parabéns, minha querida Senhora! Espero que passes um dia leve e feliz🙂 Entretanto, já te respondo ao teu post, à letra. Tenho tanta coisa para te dizer…

    Um abraço apertado

    Marta

  2. Pingback: O viajante volta já « Senhoras da nossa idade

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